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Fifi Rally Team supera falha no intercom, navegação na mímica e calor intenso na Etapa 7 do Sertões

Foto: Fotop/Sertões
Foto: Fotop/Sertões

A Etapa 7 do Sertões 2026 exigiu mais do que velocidade da Fifi Rally Team neste sábado (29). Lélio Vieira Carneiro Júnior e Weberth Moreira precisaram lidar com entrada de água pelo para-brisa, falha no intercom, navegação por gestos e muito calor dentro do Century no percurso entre Niquelândia e Goianésia, em Goiás.


O dia teve 345 quilômetros de percurso total, sendo 279 km de especial cronometrada. A programação ainda contou com 48 km de deslocamento inicial e outros 18 km após a especial até Goianésia.

O primeiro grande problema da dupla apareceu após a passagem por um riacho. O para-brisa havia sido substituído no dia anterior e, segundo Lélio, o material utilizado na instalação não teve tempo suficiente para secar completamente. Com a entrada de água no carro, o sistema de comunicação entre piloto e navegador começou a falhar.

“Quando bateu água no para-brisa, caiu água dentro e o intercom parou. Logo depois do riacho tinha uma virada à esquerda e, naquela confusão, sem comunicação, a gente passou reto. Perdemos cerca de cinco minutos. Foi ruim, mas depois conseguimos seguir tranquilos”, contou Lélio.


Navegação na base da mímica


Sem conseguir ouvir normalmente as indicações de Weberth, a dupla precisou recorrer a um recurso tão simples quanto arriscado em um carro de rali em alta velocidade: os gestos.

Lélio explicou que os dois possuem códigos para situações como essa. Com a mão esquerda posicionada no campo de visão do piloto, Weberth indicava quando era necessário reduzir e para qual lado seguir.

“Ele coloca a mão esquerda na minha frente. Fechou a mão, é para frear. Depois aponta para onde temos que ir. A gente vai fazendo assim. Às vezes perde um pouco de tempo porque não dá para explicar qual é a referência, mas conseguimos seguir”, explicou o piloto.

O intercom permaneceu instável durante aproximadamente 40 minutos até voltar a funcionar normalmente.

Para Weberth, a situação ficou ainda mais delicada porque a água também poderia atingir o tablet utilizado na navegação.

“Caiu água, o intercom acabou e tivemos que ir na base da mímica. Eu precisava proteger o tablet também, porque, se cai água, ele começa a clicar nas coisas. Tinha uma esquerda naquele momento e acabamos dando uma erradinha e tivemos que voltar. São os intempéries do rali. Quando acontece alguma coisa, a gente precisa encontrar um jeito de sair”, afirmou Weberth Moreira.

Foto: Fotop/Sertões
Foto: Fotop/Sertões

Silver tape contra a água


A solução apareceu durante uma parada no percurso. Weberth utilizou silver tape para tentar vedar a região do para-brisa por onde a água estava entrando.

A preocupação era ainda maior porque a etapa tinha sucessivas travessias de água. Depois que o intercom voltou a funcionar, a orientação foi diminuir bastante a velocidade antes dos riachos para evitar que uma nova entrada de água atingisse os equipamentos eletrônicos do carro.

“Ele falou: ‘Pelo amor de Deus, vai devagar, porque já está tudo tampado aqui de eletrônica no painel por causa dessa água’. Então eu passava devagar e, depois da água, acelerava novamente”, relatou Lélio Carneiro Vieira Júnior.

Superados os problemas, o piloto Lélio Vieira Carneiro Júnior destacou o trecho final da especial. Segundo ele, a combinação de piso com boa aderência, velocidade e curvas tornou a segunda parte uma das mais prazerosas do dia.

“Esse finalzinho foi muito top. Muito sinuoso, mas muito rápido. Era um piso bom, que gruda, que tem grip. Você freia, joga o carro e vem brincando. Foi excelente”, disse.


“Quebra-vento de Opala” para sobreviver ao calor


Se água demais foi um problema em determinado momento, dentro do Century o desafio permanente foi outro: o calor.

Com o sistema de ar-condicionado sem funcionar e pouca circulação de ar no cockpit, a Fifi Rally Team encontrou uma solução improvisada. A equipe instalou uma peça junto à abertura lateral para captar o vento externo e direcioná-lo para piloto e navegador.

Lélio Vieira Carneiro Júnior comparou a invenção aos tradicionais quebra-ventos dos carros antigos.

“Fizemos tipo um quebra-vento, igual ao Opala de antigamente. O ar entra e fica circulando. Não é que esfrie o carro, mas pelo menos você sente um ventinho. Psicologicamente já melhora”, brincou.

Weberth também relatou as dificuldades impostas pela temperatura dentro do carro. Em uma das paradas, a dupla chegou a receber um saco de gelo para tentar diminuir o desconforto.

Entre a falha na comunicação, o erro de percurso, a proteção improvisada contra a água e o calor dentro do cockpit, Lélio Vieira Carneiro Júnior e Weberth Moreira conseguiram completar mais uma especial do Sertões.

A chegada a Goianésia encerrou um dia em que, para a Fifi Rally Team, improvisar foi tão importante quanto acelerar.

 
 
 

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